Segundo pesquisa realizada, Chimpanzés percebem a morte como humanos


Uma rara gravação em vídeo feita numa reserva de vida silvestre mostra que os chimpanzés reagem à morte de um membro do grupo da mesma forma que seres humanos quando o morto é um parente próximo, anunciaram cientistas na segunda-feira.

Vídeos do experimento (do site da Current Biology):

Movie S1 (MOV 8336 kb)
Movie S2 (MOV 5123 kb)

Vídeos de um grupo de quatro chimpanzés no Parque de safári e Aventura Blair Drummond, na Escócia, mostram três chimpanzés acariciando e penteando outro, uma fêmea moribunda, mais do que seria normal, disse o professor de psicologia James Anderson, da Universidade de Stirling.

O vídeo também mostra que os três chimpanzés testaram a fêmea, Pansy, em busca de sinais de vida após o momento da morte, disse Anderson. A filha de Pansy ficou junto ao corpo da mãe durante toda a noite, e todos os chimpanzés se mostraram abatidos nos dias seguintes.

"Esta é a primeira vez, até onde sabemos, que pessoas conseguiram registrar em vídeo o momento exato em que um chimpanzé adulto morre em meio ao grupo a que pertence", disse Anderson, coautor do estudo sobre o caso, publicado na edição desta terça da revista Current Biology.

Pesquisadores nunca haviam sido capazes de observar a reação dos chimpanzés à morte na natureza porque o animal moribundo normalmente se isola e busca um esconderijo, disse Anderson. E, em zoológicos, animais doentes são segregados e submetidos a eutanásia.

No caso escocês, os funcionários do parque previram a morte e registraram o comportamento do grupo com câmeras de vídeo montadas sobre as plataformas onde vivem os animais.

Os três chimpanzés sobreviventes - que conviveram com Pansy por mais de 20 anos - reuniram-se ao redor dela e a acariciaram por dez minutos antes da morte. Quando ela morreu, inspecionaram sua boca e levantaram a cabeça e os ombros do corpo, para tentar sacudi-la de volta à vida.

os animais pararam de alisar os pelos de Patsy e se afastaram dela depois de confirmar a morte, mas a filha voltou e fez um ninho junto à mãe, onde se deitou para passar a noite.

"Creio que este vídeo mostra que os chimpanzés tinham consciência de que algo estranho havia ocorrido, mas outra pesquisa terá de ser realizada para determinar o quanto eles entendiam do que estava acontecendo", disse Alasdair Gillies, principal zelador do parque e outro coautor do estudo. "Estamos apenas abrindo o debate".

Os pesquisadores acreditam que o estudo sugere que os chimpanzés - cujo senso de empatia é conhecido - são mais semelhantes aos seres humanos do que se imaginava. "Temos o cuidado de evitar o antropomorfismo, mas ficou muito difícil não notar que algumas dessas coisas são extremamente parecidas com as reações humanas a indivíduos moribundos", disse Anderson.


Pesquisa revela que quase 80% dos americanos desconfiam do governo


WASHINGTON - Quase 80% dos americanos dizem desconfiar do governo, maior índice em 50 anos, segundo um levantamento do Centro de Pesquisas Pew divulgado no domingo. Apenas 22% dizem confiar no governo "praticamente sempre" ou "na maioria das vezes", de acordo com a pesquisa de opinião. Apenas 40% qualificam o governo do presidente americano, Barack Obama, como ótimo ou bom.

A avaliação da confiança foi realizada pela primeira vez em 1958, quando 73% dos entrevistados confiavam no governo de Dwight Eisenhower. Desde então, o número vem caindo constantemente. Desta vez, a incerteza econômica, o ambiente político fortemente partidarizado e o amplo descontentamento com o Congresso e com os políticos em geral contribuem para a atual onda de desconfiança, segundo o relatório da pesquisa, que ouviu cerca de 5.000 pessoas.

O índice de avaliações positivas sobre o Congresso é de apenas 25%, menor número em 25 anos. O prolongado debate para a aprovação da reforma da saúde, sancionada no mês passado, também piorou a opinião da população em relação ao governo e ao Congresso.

De acordo com a pesquisa, o clima é mais de frustração com o governo (56%) do que de raiva (21%). O governo é visto como uma ameaça às liberdades individuais por 43% dos republicanos, 50% dos independentes com tendências republicanas e por 57% de simpatizantes do movimento conservador Tea Party. A mesma opinião é compartilhada por 18% dos democratas, 21% dos independentes com tendências democratas e 9% dos que têm antipatia pelo Tea Party.

Uma primeira pesquisa, com 2.505 adultos, foi feita entre os dias 11 e 21 de março, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais. Três levantamentos complementares, com cerca de mil entrevistas cada, foram realizados nos dias 18-21 de março, 1-5 de abril e 8-11 de abril. A margem de erro é de 4 pontos percentuais.

Fonte da foto: www.anovaordemmundial.com

Pesquisa revela, que assim como as drogas, os alimentos gordurosos viciam


Para a maioria das pessoas, um pacote de batata frita é apenas uma guloseima. Para outras, porém, pode significar uma tentação, um objeto de desejo pelo qual fariam qualquer coisa. Assim como álcool, cigarro e drogas, a comida vicia. E a forma como o cérebro reage à dependência de alimentos gordurosos, calóricos e, por isso, considerados gostosos é a mesma de quando há consumo exagerado de cocaína e heroína.
A constatação é de pesquisadores do centro de estudos norte-americano Scripps Research Associate. Em um trabalho liderado pelo professor Paul J. Kenny, o grupo conseguiu mostrar, pela primeira vez, utilizando modelos animais, como o avanço da obesidade está relacionado à deterioração progressiva da cadeia química dos circuitos cerebrais associados à recompensa.À medida que esses centros do cérebro, onde ocorre a sensação de prazer, apresentavam menos respostas, mais rapidamente os ratos de laboratório tornavam-se compulsivos por comida, consumindo grandes porções de alimentos calóricos e gordurosos. De acordo com Kenny, o mesmo ocorre com dependentes químicos, que, com o tempo, precisam aumentar a quantidade de drogas para conseguir um passageiro efeito de prazer.No estudo, publicado na versão online do periódico Nature Neuroscience, os pesquisadores afirmam que o experimento, feito durante três anos, apresenta a mais completa prova de que o vício em drogas e a obesidade têm suas bases nos mesmos mecanismos neurobiológicos. “Os animais perderam completamente o controle sobre seu comportamento alimentar, o primeiro sinal de dependência. Eles continuaram comendo demais mesmo quando recebiam choques elétricos, o que mostra como pareciam motivados quando consumiam comida palatável”, diz o texto.


Junk food

Durante a pesquisa, os ratos eram alimentados com uma dieta semelhante à que contribui para a obesidade humana, como salsicha, bacon e cheesecake. Pouco tempo depois do início dos experimentos, os animais começaram a engordar significativamente. Eles sempre corriam para os piores tipos de alimento, ingerindo duas vezes mais calorias que os ratos do grupo de controle. Quando os cientistas tiravam a chamada junk food do alcance e tentavam colocá-los em uma dieta nutritiva, eles simplesmente se recusavam a comer. Alguns chegaram a ficar duas semanas sem se alimentar e quase morreram de fome.“Aparentemente, indivíduos com alterações genéticas que os predispõem a ter menores quantidades do receptor de dopamina parecem mais vulneráveis para desenvolver a obesidade, à medida que diminui, no cérebro, a sensação de recompensa ao comer alimentos palatáveis”, disse Paul J. Kenny ao Correio. “Acredito que a descoberta poderá ajudar a estabelecer políticas públicas de saúde, aumentando o grau de preocupação sobre o fácil acesso à chamada junk food”, afirma. “Não estou dizendo que o acesso deve ser restrito, mas, talvez, limitado em alguns lugares, como as cantinas escolares”, defende.


Múltiplas razões

Com o aumento da obesidade em todo o mundo, há décadas a ciência procura decifrar os mecanismos cerebrais associados ao comportamento de compulsão alimentar. Os avanços tecnológicos permitem, agora, que pesquisas como a desenvolvida pelo Scripps Research Associate consigam identificar com exatidão o processo químico por trás do hábito de comer demais. Porém, isso não quer dizer que o transtorno alimentar possa ser explicado somente por reações neurais. Assim como a depressão, muitos fatores estão relacionados à compulsão por comida.Há 24 anos, a psicóloga Ana Paula Pongelupe trabalha com o assunto obesidade e lembra que o problema é multifatorial. “Somos biopsicossiais. Ou seja, temos uma base fisiológica, uma psiquê que nos leva a ter um determinado comportamento, e precisamos considerar o social, a cultura onde estamos inseridos”, diz. “É igual à depressão. É uma doença bioquímica? Sim. O remédio ajuda? Claro. Mas não vai adiantar só tomar remédio. A obesidade é extremamente complexa e de difícil solução porque abrange várias áreas”, diz.A psicóloga afirma que, ao contrário de quem não come excessivamente, quem é compulsivo perde a noção do prazer de comer. “Comer é bom, todos gostamos. Mas a pergunta é: ‘Essas pessoas realmente estão tendo prazer?’. Quando você come um bombom recheado de cereja, por exemplo, você mastiga, saboreia, quase geme quando o caldo estoura na boca. O que os obesos perdem é esse prazer. Eles comem sem prestar atenção no que estão comendo. O prazer, para eles, está relacionado a se empanturrar”, diz.A professora aposentada Ângela (nome fictício a pedido da entrevistada), 61 anos, sabe bem o que é isso (leia depoimento). Ela já chegou a deixar de almoçar para comprar uma torta de caramelo de 4kg e comê-la todinha. “Minha última comilança aconteceu no ano passado, depois da morte de um conhecido. A qualquer momento, você pode ter uma recaída”, conta Ângela, que há 12 anos frequenta o grupo de Comedores Compulsivos Anônimos. Na ocasião, ela havia feito compras e tinha acabado de abastecer a geladeira, quando soube da morte. “Comi tudo que tinha na geladeira. No outro dia, eu queria jantar e, quando abri a geladeira, estava vazia. Então, lembrei que eu tinha comido tudo”, diz.


Sofrimento intenso

Um comportamento como o de Ângela traz um sofrimento intenso ao paciente, que, ainda por cima, vira chacota social. “Eles acabam tirando sarro deles mesmos”, diz a psicóloga Ana Paula Pongelupe. Pressionados, cobrados e cheios de expectativas, os obesos decoram dietas, apelam para todos os tipos de chás, podem ir atrás de cirurgias plásticas, mas, sem tratar os fatores que os levaram a desenvolver o comportamento compulsivo, simplesmente não conseguem ir em frente. Segundo Ana Paula, que trabalha com obesos que se submeteram à cirurgia bariátrica, há 60% de reincidência entre os operados.Ela explica que a compulsão alimentar está muito relacionada ao significado que o corpo tem para a pessoa. “Minha experiência clínica mostra que esse corpo obeso, disforme, tem um significado. A pessoa perde as características de gênero. Como lida com isso? Será que está pronta para ficar bonita? É um mecanismo de defesa, muitas vezes, associado a dificuldades de lidar com a sexualidade”, diz. A psicóloga lembra que, na pesquisa que fez para construir sua dissertação de mestrado, entrevistou várias mulheres obesas e uma delas, casada, disse que achava que, se emagrecesse, poderia não resistir às investidas de outros homens. Mantinha-se obesa por medo de trair o marido.Outro fator associado à compulsão é a quantidade de papéis que as pessoas assumem, principalmente depois do casamento e dos filhos. “São tantos que a pessoa fica frustrada, ansiosa e insatisfeita. Tem que procurar um prazer. Onde acha? Na comida. É um sofrimento bárbaro”, diz Ana Paula Pongelupe.