Segundo pesquisas, ENEM não avalia realidade escolar


A classificação das escolas públicas e privadas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), com vantagem para as privadas, segundo ranking do Ministério da Educação, reflete a desigualdade social brasileira e não considera os fatores sociais, econômicos e culturais do contexto em que a escola e os alunos estão situados. Essa é a análise da doutora em Educação e professora da Universidade Federal de Rondônia (Unir), Andréia Quintanilha, que critica a metodologia de colocação.

Para a professora, o Enem não serve para avaliar a realidade do ensino nas escolas. “O desempenho escolar não se associa a fatores independentes, mas resulta de uma multiplicidade de efeitos do contexto sociocultural e econômico, aliado aos processos escolares que acabam interagindo com o desempenho dos alunos.”, avalia. Em Rondônia, alunos de 382 escolas participaram do Enem no ano passado. As três melhores notas em Rondônia foram de escolas particulares. A Escola Estadual João Bento da Costa, na Capital, ficou com a terceira nota entre as escolas públicas. Mas para o diretor da escola, Suamy Lacerda, os números não refletem os resultados e o sucesso dos alunos. “O João Bento teve mais de 330 alunos que fizeram o Enem, enquanto outras escolas com um número menor de alunos, como a de Colorado D’Oeste, que teve 22 alunos, logo na média feita das notas vão estar na nossa frente. Não dá para comparar as características de uma escola pequena com outra grande como a nossa”.

Na escola Estadual João Bento da Costa, no ano passado, passaram 148 alunos nos vestibulares. “Nossos alunos estão conseguindo além de vagas nos vestibulares, as vagas em concursos”, completou. Lacerda acredita que o ensino desenvolvido no João Bento dá para disputar em qualidade com as escolas particulares. “Estamos buscando nivelar nosso ensino com as destas escolas, trabalhando forte em planejamento educacional”, relatou.

Para a presidenta do Conselho Estadual de Educação, Francisca Batista, o problema da notas baixas do ensino público no Enem está nas séries iniciais. “Se estamos com fraco desempenho no Ensino Médio é porque precisamos melhorar na Educação Infantil e no Ensino Fundamental que é a base de estudos dos alunos. A Educação Infantil e Fundamental ainda não foram implementadas pelos municípios, é uma deficiência que compromete toda a estrutura de ensino”, defendeu. Para ela, o acesso à universidade é reflexo de um bom ensino fundamental.

A professora Andréia Quintanilha reconhece que o esforço político que está sendo realizado hoje, mas lembra que este esforço é recente e insuficiente. “A educação não acontece em um vazio social porque as variáveis que afetam os resultados dos alunos são determinadas pela vida que levamos”. Ela acredita que educação nas escolas e apenas um aspecto que pode colocar na avaliação da qualidade na educação.

Amostra

De acordo com Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela realização do exame, a utilização dos resultados do Enem deve ser considerada com cautela diante de dois aspectos. ‘A primeira refere-se ao fato de que, para algumas escolas, a amostra de seus estudantes que participaram do exame é demasiadamente pequena, o que pode tornar sua nota média pouco representativa do conjunto de estudantes da escola. A segunda observação é que, mesmo para as escolas com alta taxa de participação no Enem, a amostra dos alunos de cada instituição pode não representar o desempenho médio que a escola obteria caso todos os alunos participassem”.

Criado em 1998, o Enem tem o objetivo de avaliar o desempenho do estudante ao fim da escolaridade básica. O Exame destina-se aos alunos que estão concluindo ou que já concluíram o Ensino Médio em anos anteriores. A participação no exame é voluntária e em 2009 foram 2.426.432 candidatos, dos quais 37% declararam estar concluindo o Ensino Médio em 2009 e 56% informaram serem egressos, ou seja, terem concluído o Ensino Médio em anos anteriores.

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